#ParaTodosVerem

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Neste vídeo a Diretora e coreógrafa da Corpórea Companhia de Corpos, Verônica Santos, fala um pouco sobre os  processos de pesquisa da companhia.

SOBRE

“Partimos de outros lugares”. Denunciar o universo do encarceramento feminino em massa foi o nosso objetivo artístico, através da nossa primeira obra ‘RÉS’. Na obra, expomos nosso corpo através das nossas peles, do nosso olhar, do nosso respiro e habitamos as sensações nas várias formas de encarceramento diário vivido por nós, Mulheres Negras. Nossa relação com o tema surge das estatísticas, da aflição, do temor e das várias possibilidades que somos submetidas sobre as situações de “cárceres”, que vai do cárcere cotidiano ao cárcere do sistema prisional.

Corpórea Companhia de Corpos

A Corpórea Companhia de Corpos é dirigida por Verônica Santos e parte de um desejo antigo entre a bailarina e o ator William Simplício. Neste hibridismo entre as linguagens dança e teatro, a companhia aborda o seu fazer artístico evidenciando o protagonismo preto em suas instâncias sociais. O protagonismo do corpo feminino na contemporaneidade vem sendo o alicerce de sua pesquisa, e a presença de outras mulheres nesta empreitada vem construindo uma narrativa identitária artística entre o corpo, a voz e o pensamento feminino que são princípios fundamentais para expor a contemporaneidade de suas existências nas esferas do cotidiano social.

NOSSAS HISTÓRIAS, NOSSAS TRAJETÓRIAS

Em 2015, partindo de um ato performático, Verônica Santos e William Simplicio entenderam que a investigação da companhia seria na linguagem de dança-teatro. Neste ínterim surge “Arrastados”, ato performático em que refletiam a abordagem da polícia brasileira aos corpos pretos femininos, indagando e refletindo o caso da auxiliar de limpeza Claudia Silva Ferreira (Madureira RJ, 16 de março de 2014).


Em 2016, a Corpórea Companhia de Corpos é uma das companhias
selecionadas para a segunda mostra de solos de vídeo-dança em Belo Horizonte-MG. Mostra apresentada no cinema do Sesc Palladium, projeto coordenado pela rede solo da dança de Belo Horizonte-MG. Ainda em 2016, a Corpórea Companhia de Corpos decide pesquisar o encarceramento em massa do corpo feminino, os cárceres vividos por estes corpos no Brasil com recorte de Gênero, Classe e Raça.


Em julho de 2017, Verônica Santos é uma das homenageadas no projeto 2a Mostra das Mulheres Negras da Cidade de São Paulo, evento coordenado pela Nave Gris Cia. Cênica. A Corpórea Companhia de Corpos abre o processo de seu trabalho ‘RÉS’, publicamente. Em agosto, aconteceu a pré-estréia do espetáculo na Aparelha Luzia. E em outubro do mesmo ano no Sesc 24 de Maio, a Corpórea Companhia de Corpos faz a estreia de sua primeira obra ‘RÉS’. E em novembro, participa da programação do projeto “Negritudes Convergentes: Danças Independentes”, produzido pela Cia Sansacroma na Funarte-SP.
 

Em 2018, a Corpórea Companhia de Corpos se apresenta na 20a Mostra de Dança do Monte Azul, realizada pelo Centro Cultural Monte Azul-SP. A companhia foi convidada para participar da “Segunda Preta” em Belo Horizonte-MG e, posteriormente cumpri uma pequena temporada na Cia. do Pássaro Voo e Teatro (SP).
A Corpórea Companhia de Corpos foi convidada para participar da faixa oficial “O Que Se Cala” do álbum “Deus é Mulher”, de Elza Soares. A diretora da Corpórea, Verônica Santos realizou a direção de movimento/coreografia/provocação/ensaiadora do videoclipe. Direção geral e roteiro do videoclipe por: Ana Julia Travia e Cesar Gananian. Produzido pelo Filmdesign e Academia de Filmes.

A pesquisa da obra ‘RÉS’ rendeu a Corpórea Companhia de Corpos a contemplação ao Edital RUMOS 2017/2018 do Itaú Cultural, com o projeto: OCUPAÇÃO ‘RÉS - MULHERES EM CÁRCERES’, projeto realizado no início de 2019 em que trabalharam 39 profissionais. Divididos entre mesas de debate, performances e apresentação da obra ‘RÉS’, somados
25 participantes das residências realizadas entre a Escola Livre de Teatro (Santo André-SP) e o Centro de Referência a Dança da Cidade de São Paulo (CRD-SP), formando um total
de 64 pessoas para a realização deste projeto.


Em dezembro de 2019, a Corpórea Companhia de Corpos participa do Festival Internacional ‘Curta Mostra de Danças’, realizado em Belo Horizonte-MG. A obra ‘RÉS’ é indicada ao PRÊMIO APCA – Comissão de dança, na categoria de ESPETÁCULO / NÃO ESTREIA 2019. Ainda no mesmo ano à convite da plataforma PLUS HUIT-NTH8 / FRANÇA, a Corpórea Companhia de Corpos integra o ‘Projeto 30’ – Brasil.


O ‘Projeto 30’ é originado na França em 2012 com Sylvie Mongin-Algan, e consiste na realização de imersões artísticas a partir do livro “Esboço de alturas”, texto autobiográfico escrito em 1994 pela autora argentina Alicia Kozameh. Um conto que evoca a solidariedade diária de 30 mulheres ex-presas políticas, durante a ditadura militar na Argentina. Este projeto apresentou-se na França, Chile e México e nessa nova etapa em 2019, percorreu Argentina, Uruguai e Brasil onde a dramaturga francesa Sylvie Mongin-Algan propôs em conjunto com as artistas da Corpórea Companhia de Corpos, Verônica Santos e William Simplício, uma residência em São Paulo. Artista: atrizes, dançarinas, performers, musicistas de diferentes gerações participaram de uma montagem reflexiva e coletiva do texto. Esta proposta surge após a dramaturga conhecer o trabalho da companhia e suas abordagens em seus processos criativos.


Em 2020, a Corpórea Companhia de Corpos estreou em meio a pandemia um minidocumentário ‘Gestos de se Comunicar’ disponibilizado nas plataformas digitais da companhia. Estes trabalhos artísticos com produção de Verônica Santos, Gustavo
Oliveira e produção e criação audiovisual de Noelia Nájera, discorrem sobre reflexões sociais que são fundamentais para o decorrer histórico de nossas produções artísticas. E em parceria com redes de artistas que desempenham papéis estético, político, artístico e poético para a sociedade, trazendo sempre o protagonismo dos nossos corpos pretos. Na
primeira parte da série de mini documentários: “Gestos de se comunicar”, foram exibidos os primeiros fundamentos e pensamentos artísticos da Corpórea Companhia de Corpos. Ao todo foram produzidos um total de 04 (quatro) vídeos-obras que integram a série de mini documentários.


Atualmente, a Corpórea Companhia de Corpos busca dar continuidade em suas pesquisas artísticas e pedagógicas com o seu novo projeto ‘FOMENTAR TRAJETÓRIAS: MOVIMENTOS FEMININOS EM RECINTOS FEMIL(S)’. E deseja integrar em seu elenco e ações, artistas, educadoras e parceiras findadas no Brasil e no mundo, que acompanham a trajetória e as criações da companhia, com o interesse do levante e empoderamento da ancestralidade do povo preto.